Descendentes de italianos em São Joaquim – Serra Catarinense

Um Breve Relato da História da Colonização

A região serrana de Santa Catarina, conhecida como Planalto Serrano, situa-se no sudeste do estado, a aproximadamente 100 quilômetros do litoral. Compreende municípios como Lages, São Joaquim, Urubici e Bom Jardim da Serra, sendo amplamente reconhecida por seu clima rigoroso, pelas paisagens naturais dominadas por araucárias, pelos cânions, a exemplo da Serra do Rio do Rastro, por suas cachoeiras e pelo Morro da Igreja, ponto de maior altitude do estado. A região apresenta altitudes que variam entre 800 e 1.827 metros, clima temperado e ocorrência esporádica de neve durante o inverno, fatores que a consolidam como um relevante destino turístico e ambiental.

A imigração italiana em Santa Catarina concentrou-se, de forma mais expressiva, no Sul do estado, em localidades como Urussanga, Nova Veneza, Nova Treviso, Grão-Pará, Orleans, Criciúma e Pedras Grandes, além do Vale do Itajaí, com destaque para municípios como Rodeio, Ascurra, Apiúna, Rio dos Cedros e Porto Franco. Observa-se também presença significativa no litoral, especialmente em Florianópolis (antiga Desterro), Laguna e Itajaí, bem como em áreas do interior, como São João Batista (Nova Itália), Nova Trento e Azambuja.

No Planalto Serrano, diferentemente dessas regiões, a imigração italiana não ocorreu de maneira direta e organizada. A presença de descendentes italianos na região resultou, sobretudo, de movimentos migratórios internos, ocorridos a partir da segunda geração dos imigrantes, provenientes principalmente do Sul de Santa Catarina e do Nordeste do Rio Grande do Sul, motivados pela busca de novas áreas de ocupação e oportunidades econômicas.

De forma semelhante, a região Oeste de Santa Catarina foi significativamente povoada por descendentes de imigrantes italianos oriundos do Rio Grande do Sul, processo que desempenhou papel fundamental na formação social, econômica e cultural daquela região, marcando profundamente sua identidade histórica.

Presença Italiana em São Joaquim, Santa Catarina

A Serra Catarinense, assim como todo o Planalto Catarinense, apresenta uma população majoritariamente formada por descendentes de portugueses, oriundos de antigos movimentos migratórios. Destacam-se, nesse contexto, os colonizadores que chegaram pela rota dos tropeiros, provenientes do estado de São Paulo, conforme aponta o pesquisador e genealogista da Universidade de São Paulo (USP), Marcelo Meira Amaral Bogaciovas, em seu artigo “Antigos Proprietários Rurais de Lages”.

Além desse fluxo migratório, a região também recebeu população oriunda de Laguna, em sua maioria descendente de açorianos, bem como contingentes provenientes do Rio Grande do Sul, os quais contribuíram de forma significativa para a formação demográfica, social e cultural do Planalto Serrano.

A análise de registros cartoriais e paroquiais, aliada à consulta de obras e estudos genealógicos, permite identificar a presença de sobrenomes de origem italiana no município de São Joaquim. Tais sobrenomes, embora não resultem de um processo de imigração direta e organizada, refletem os deslocamentos internos de descendentes de imigrantes italianos, sobretudo a partir da segunda geração, que, ao longo do tempo, passaram a se estabelecer na região.

Entre os sobrenomes identificados na documentação pesquisada, apresenta-se a seguinte relação, considerando-se também suas variações ortográficas históricas:

ABATT (ABATTI); ALBINO; ANTONELLO; ARIOLI; ARRIZI; BALDESSAR (BALDESSARE); BARBIERI; BECARI (BECCARI); BENVENUTO; BENVENUTTI; BERGAMASCHI; BERTON; BIANQUIM (BIANCHINI); BORELLA; BORTOLOTTO; BORTOLUZZI; BRIGHENTI; CANARIN; CASCONETTO; CASSETARI; CATINAVES; CECCHETTO; CECHINEL; CELANI; CHIODELI (CHIODELLI); COSTA; CRESTANI; DE BETTIO; DONADEL; FIORAVANTE; FONTANELLA; FRANCINI; GHIZONI; GIRARDI; GRAZIOTIN; GRILLO; GUAZELLI; INDICATTI; LAPOLLI; LORENZETTI; LORENZI; LOTIN; MACCARI; MAFFIONETTI; MALVEZZI; MARAFIGO; MARCHI; MARIOT (MARIOTT, MARIOTTI); MARTINELLI; MARTORANO (MARTURANO); MONDADORI; MOSSI; NERCOLINI; NESI (NEZI); OSELLAME; PAGANI; RINALDI; RISSI; ROSSI; SALDETI; SALVATELLA; SAVIATTO; SILVESTRINI; SUSIN; TOPANOTTI; TORTELLI; VALESAN; VALIM; VIRIATO; VITTORIA; ZABOT; ZANDONADI; ZANELLA; ZANETE (ZANETTE, ZANETTI); ZANONI; ZAPELINI.

Considerando tratar-se de um município de pequeno porte, com aproximadamente 27 mil habitantes, segundo dados do IBGE, e cuja população é majoritariamente composta por descendentes de portugueses, justifica-se o número reduzido de descendentes de italianos identificados.

Ainda assim, é importante destacar que todo indivíduo que possua ascendência italiana, mesmo que não carregue em seu nome um dos sobrenomes aqui relacionados, é considerado italiano nato segundo a legislação italiana, desde que seja possível comprovar documentalmente a linha de descendência, nos termos do princípio do jure sanguinis.


FONTES:

Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia – ASBRAP

Registros Paroquiais e Civis de São Joaquim


Autora: Soraia Haidar, pesquisadora e genealogista.

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